segunda-feira, 26 de maio de 2014

Eu protesto. Tu Protestas. Eles não Sabem o que Fazem.

Paulo Rogério B. Rocco

   O Brasil não vai passar incólume por esta Copa do Mundo, seja por qual motivo for. A seleção terá em seu encalço o espírito de 1950 e o país, além de todos os recordes desta edição, terá o eterno fantasma da corrupção, escancarado em forma de obras monumentais e superfaturadas.
   E, claro, há os protestos. Extremamente atrasados, diga-se de passagem e cujos objetivos se misturaram aos aproveitadores partidários, representantes de classes – cada um defendendo o seu – e vândalos, que só querem quebrar tudo o que encontram pela frente para “protestarem” contra o desperdício do dinheiro público. Oi?
   Onde estava dormindo essa gente quando o senhor Lula, ídolo e guru de grande parte dela, disse a jornalistas, em setembro de 2006, que o Brasil deveria construir doze novos estádios para ser capaz de sediar a Copa?
   Nesta mesma época, Orlando Silva, então Ministro dos Esportes, comentou que o Brasil faria o necessário para que a Copa fosse realizada no país. E o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, disse então que recuperar estádios ou construir outros novos seria responsabilidade da iniciativa privada. E ninguém acordou com um barulho desses?
   Tempos depois, em um já distante 30 de Outubro de 2007, a FIFA escolheu o Brasil. Aí sim, protestos poderiam ter resultados e se mostrarem funcionais. Agora é chorar sobre o pênalti perdido.
   Vai ter Copa, sim. Quer os contestadores queiram ou não. Podem até organizar protestos – como um já anunciado pelo Movimento Passe Livre, durante a Copa, para exigir ônibus de graça. Esse pessoal do MPL, aliás, é o mesmo que deflagrou os movimentos do ano passado e desapareceu da mídia bravamente quando tudo atingiu proporções homéricas e fugiu do controle.
   Mas eles atingiram os objetivos dos vinte centavos e de quebra conseguiram que a dona Dilma contra-atacasse com os polêmicos médicos cubanos. E agora querem ônibus totalmente de graça. Desculpe, acho que não vai dar. Não estão em Cuba. Esse é um país capitalista, com todos seus ônus e bônus.
 Acho muito justo protestarem contra a corrupção e o superfaturamento dos estádios.  O custo original dos estádios já subiu 36% e as obras de infraestrutura tiveram um custo de 4,5 bilhões de reais acima das previsões iniciais. E alguém pensou que seria diferente? Mas acredito que a coerência deva prevalecer. Se tiver corintiano, por exemplo, protestando contra os estádios na quinta e no domingo indo ver jogo no Itaquerão, já é bola fora.
  A Arena Corinthians é o terceiro maior gasto dos estádios da Copa com 1,15 bilhão de reais, em que grande parte veio, graças ao Governo Federal, do dinheiro público. Só perde em custo para o Maracanã (1,35 bilhão de reais) e para o campeão Mané Garrincha, não o jogador que morreu quase pobre, o estádio em Brasília; com custo estimado em 1,48 bilhão de dólares. Para se ter uma ideia, a Arena Pantanal custou aproximadamente 1/3 desse valor.
  Ah, claro, contestador contra a Copa não pode trocar figurinhas durante o protesto também, como alguns têm feito. E nem assistir aos jogos pela televisão. Sair para comemorar em caso de vitória então, nem pensar. Se for tomar uma cervejinha com os amigos, depois de uma vitória da Seleção, peça para o garçom colocar a TV na Record na hora do jogo. Repetindo: Coerência e foco, em protesto, são o que vale.
  Todos sabem que o Brasil precisa de Educação, Saúde, Cultura, Transporte e tudo o mais e é necessário, principalmente, acabar com a falta de vergonha dos políticos, seja a que partido pertencerem.
   A corrupção vista nas obras dos estádios acontece também todos os dias por todo esse imenso território. E em valores muito maiores do que esses.
  Na sexta, dia 23, foi publicado na capa da Folha de S. Paulo que os gastos com a Copa equivalem a apenas um mês de gastos com a Educação no país – 25,8 bilhões de reais com a Copa e 280 bilhões anuais com a Educação. Soma-se a isso, 206 bilhões gastos com a saúde por ano. Este dinheiro está sendo bem utilizado, manifestantes? Se o dinheiro dispensado a essas duas áreas fosse bem utilizado, teríamos hospitais e escolas padrão mais do que FIFA.
  O que acontece no momento é que os estádios estão visíveis para o mundo e as outras obras e falta de investimentos básicos, não.
  Uma sugestão de protesto para a multidão que invade a Paulista que pode repercutir mundialmente e provocar mudanças: No dia das eleições, em outubro, esqueça que você faz parte de um admirável gado novo disperso em currais eleitorais e não saia de casa para votar.
  Ah, sim. E outra sugestão para manifestantes profissionais: a hora para protestar contra a Olimpíada do Rio é agora. Daqui a dois anos, com tudo pronto, não adianta xingarem atletas na Vila Olímpica, como aconteceu neste dia 26 de maio no Rio, quando um grupo de cem professores hostilizou os jogadores do Brasil que estão fazendo o trabalho deles. Atenção professores: repetindo, o gasto com a educação no país é de mais de 23 bilhões de reais por mês. Estão se manifestando contra pessoas erradas, no lugar errado e na hora errada. Certo?
  Afinal, os jogadores não têm culpa do que o Governo que vocês elegeram faz com vocês; a Copa do Mundo vai trazer milhares de turistas; já está movimentando milhões em negócios também para muita gente honesta e para quem admira o esporte, vai dar um show de futebol com alguns dos melhores jogadores dos últimos tempos.
  Hay que protestar, pero sin perder nunca el final.
  
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