segunda-feira, 28 de março de 2016

Batman Vs Superman - Quem vence? (Sem Spoilers)

   O filme é muito, muito bom. Crítica tem pra todos os gostos, se curte os personagens vá agora para o cinema e divirta-se. 

   As primeiras cenas do filme são as últimas de "O Homem de Aço", com variações de ângulos, o que revela novos personagens. O que quer dizer que se você não viu o longa do Superman, vai boiar em alguns detalhes. Desde as primeiras notícias se sabia que era uma sequência e assim é. Confesso que eu mesmo saí do cinema após ver "O Homem de Aço" incomodado com o tanto de barulho e destruição. Gostei mais do filme quando revi em Blu-ray. Mas agora toda aquela bagunça causada em Metrópoles faz ainda mais sentido.

   Toda a sequência inicial, sob os créditos é de arrepiar, mesmo constando uma cena que qualquer fã do Homem-Morcego já assistiu pelo menos uma dezena de vezes nas telas e já viu em centenas de HQs. Mesmo esta sendo reproduzida exatamente como em uma história em particular (no que, convenhamos, o diretor Snyder é especialista).

   Por falar em quadrinhos, tem referências (e cenas idênticas) do "Cavaleiro das Trevas" de Miller (óbvio); de "Crise nas Infinitas Terras", de Wolfman e Pérez; de "A Morte do Superman", de Lousie Simonson e Jon Bogdanove (onde surgiu o Apocalypse); de "Paz na Terra", de Alex Ross  e Paul Dini e de "Morte em Família", de Jim Starlin e Jim Aparo; só para ficar nas principais que notei mesmo com a emoção à flor da pele.

   Há ainda homenagens/citações aos longas de Christopher Nolan e ao "Batman" de Tim Burton. Pelo menos assim eu imaginei ao ver um ângulo de Batman idêntico ao que se usava para algumas peças da promoção do filme de 1989, que inclusive foi capa da Veja por aqui.

  Todo o elenco está incrível. Isso é comprovado quando não percebemos mais Ben Affleck, Henry Cavill ou Gal Gadot e passamos a ver somente a Trindade mais famosa do Universo. Gostei de Eisenberg como Luthor. Era minha única dúvida sobre o elenco, mas a construção da personagem (mesmo que remeta ao Coringa, como alguns disseram) termina por se fazer eficiente.

   A aparição alardeada de membros da Liga da Justiça cumpre seu papel de ligar com o próximo filme da DC com destaque para um dos heróis.

   "Batman Vs. Superman - A Origem da Justiça" não é filme para quem coloca no pedestal máximo a segunda aventura do Vingadores, por exemplo. Este universo é mais adulto, mais complexo, mais sério e bem menos colorido do que aquele que abriga os heróis da Marvel (vamos ver se "Guerra Civil" dá um passo adiante nesse sentido como aconteceu com "Capitão América - Soldado Invernal" e despencou com a sequência dos Vingadores).

   Não é um filme para adolescente. Quem está nessa fase e é iniciado no mundo nerd vai curtir, outros vão se aborrecer e aporrinhar espectadores nos cinemas. Portanto escolha sessões legendadas, de preferência em salas tipo IMAX, XD ou coisa assim e 3D, apesar da fotografia ficar ainda mais escura (mas estamos falando de Batman, não é?).

   Divirta-se com as citações, homenagens, referências e frases bem construídas, que são inseridas o tempo todo nas duas horas e meia de projeção deste filme que já é campeão de bilheteria.

   E, claro, a cena da luta entre os dois é bem legal, apesar de rápida. E quem vence? Nós, fãs do Batman, do Superman, de um bom filme de ação e aventura, de quadrinhos e da cultura pop em geral.

    Sem comentários.


quarta-feira, 2 de março de 2016

20 Anos sem a Tal da Suruba

Paulo Rogério B. Rocco

Da série "Pra não dizer que não falei dos Mamonas": À parte das matérias sensacionalistas de apresentadores e apresentadoras babacas de televisão (quase todos, com raras exceções), a banda era legal.

No ano de lançamento do disco eu tinha tanto um amigo da minha idade quanto uma prima de 2 ou 3 anos que adoravam as músicas irreverentes dos garotos. Os adultos que gostavam do trabalho deles curtiam o deboche, a crítica, as referências, a brincadeira sacana das letras colocadas naquelas músicas que soavam familiares como cantigas de infância - e eram mesmo.

As crianças ficam vidradas nos figurinos de heróis, personagens de TV e afins que mais pareciam frequentadores desses bailes à fantasia que não tinham grana para grandes produções ou blocos carnavalescos, como a roupa de "presidiário".

O único disco foi um fenômeno poucas vezes visto na indústria fonográfica. E atenção: estou falando de uma época pré-internet e pré-redes sociais. Aquilo era genuíno. O público - que gostava, repito - o fazia porque sim, não porque a mídia despejava o "sucesso" em cima dele como acontece hoje com tantas duplas semi-sertanejas que "estouram" a cada semana.

Se eu fosse resumir a carreira dos Mamonas Assassinas (nome genial que remete à nossas guerrinhas de mamonas na infância) diria que era uma grande brincadeira levada à sério e que mandava à favas toda e qualquer forma de censura, brincando de maneira saudável e ingênua (para as crianças) com várias instituições e assuntos "tabus".

Não creio que o acidente tenha sido essencial para imortalizar a banda. Ajudou sim a dar audiência para os sanguessugas de microfone. O que deixou o nome dos Mamonas vivo para sempre foram essas características que citei sobre o trabalho deles. Mesmo que talvez não tivessem passado do segundo disco (do primeiro passariam com certeza), aquela capa com a mulher com seios a mostra (caricatura dos seios de Mari Alexandre que tinha acabado de sair na Playboy) já estaria para sempre fixada na memória dos adolescentes, no ouvido dos adultos e nos passinhos coreografados das crianças em frente aos monitores de TV ligados nos programas de auditório que se "rendiam" ao fenômeno.

Que falta faz os Mamonas hoje! Em tempos hipocritamente corretos, politicamente governados por chatos de galocha e julgados por "pós-graduados em qualquer área" do Facebook, as músicas da banda caíram como bálsamo.

Mas não se engane: hoje sim eles não passariam do primeiro disco e seriam pregados na cruz virtual, de ponta cabeça, até pelo grupo de defensores da Maria, aquela mesma que foi pra uma tal de suruba.

Sem comentários.