sexta-feira, 5 de junho de 2020

Pequeno Almanaque de uma Propaganda de Novelas - Penúltimo Capítulo


Paulo Rocco

Chaplin na abertura
de "O Dono do Mundo".
E chegamos ao penúltimo capítulo desse almanaque abrangendo as novelas que estarão disponíveis na Globoplay, de acordo com a publicidade veiculada pelo canal de streaming nas últimas semanas.

Mais do que resenhas que relembrem sucessos incontestáveis, escrevi sobre autores e autoras geniais, personagens pelos quais nos apaixonamos e outros que adoramos odiar, atores e atrizes espetaculares e tramas que nos levaram a lugares físicos e oníricos, muito além do que a maioria de nós imaginava. E ainda há muitos sonhos – dos autores e nossos – por vir.

Mulheres Apaixonadas – 2003. Mais uma Helena, mais Leblon, mais bossa nova, mais conversas no jantar. Apesar de ser admirador do trabalho de Manoel Carlos enquanto autor, seu estilo de novela não é o meu preferido. Mas não é por isso que não tenha seus méritos e milhões de fãs. Aqui a Helena de Christiane Torloni é diretora em uma escola no Rio. A instituição de ensino pertence ao marido Téo (interpretado por Tony Ramos) e à irmã dele, Lorena (Suzana Vieira). O casal tem um filho adotado que, na verdade, é filho de Téo com Fernanda (Vanessa Gerbelli) que era garota de programa e que tem outra filha, Salete (Bruna Marquezine (outra razão pela qual não aprecio a novela). No mais, várias personagens femininas têm problemas envolvendo temas como amor, traição, casamento, paixões, ou seja; o básico em uma obra teledramatúrgica. Uma centena de personagens desfilou por essa trama, onde alguns se sobressaíram, como Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) que tinham um romance. Outro destaque foi a malvada Dóris, vivia por Regiane Alves, que atormentava a vida dos avós. Uma campanha social – extremamente útil nos dias sombrios pelos quais passa hoje o Brasil – foi a do desarmamento, tendo como mote a trama de Fernanda e Téo, vítimas de bala perdida. Inclusive o elenco participou de passeata no Rio pelo Estatuto do Desarmamento que seria votado no Congresso Nacional. E que hoje está enterrado sob o que você já sabe. A abertura foi com a maravilhosa “Pela Luz Dos Olhos Teus”, com Tom e Miúcha. A novela teve 203 capítulos.

O Dono do Mundo – 1991. Essa sim, era no estilo que eu gosto e já disse aqui: com protagonistas poderosos – para o bem ou para o mal. A novela de Gilberto Braga sofreu ataques já no início, pela sinopse e pelos primeiros capítulos, embora eu pense terem sido infundados – e isso em um tempo onde não havia nem o embrião das redes sociais. Afinal é uma obra de ficção. Antonio Fagundes é o cirurgião plástico Felipe Barreto e no dia do casamento do seu funcionário Walter (Tadeu Aguiar), aposta com um amigo que levará a noiva virgem dele, Márcia (Malu Mader), para a cama antes do marido. Para concretizar seu plano sórdido, presenteia o casal com uma lua de mel no Canadá e vai junto, alegando uma viagem de negócios. Ele ganha a aposta. Com o desespero de ver a mulher nos braços do médico, Walter sofre um acidente de carro e morre. Humilhada e rejeitada, Márcia decide se vingar de Felipe e se une a uma cafetina, Olga Portela (a deusa Fernanda Montenegro). E de onde vieram os ataques? Tanto pela canalhice do médico (até ameaças de associações de cirurgiões plásticos houve, indignados com a postura do “colega”) quanto a maneira “fácil” como a mocinha teria se entregue a ele. O autor teve que fazer algumas mudanças para “amenizar” sua história – o que hoje geraria discussões porque, tanto temos situações em séries e novelas que superam essa premissa, quanto o “politicamente correto” – na maioria das vezes sem qualquer argumento sensato – declararia guerra. Polêmicas de lado, eu gosto dessa novela. E, claro, essa obra tem um dos casais mais lembrados da teledramaturgia brasileira: Beija-Flor e Taís (Ângelo Antonio e Letícia Sabatella). A abertura se tornou clássica. Com a belíssima música “Querida”, de Tom Jobim, era reproduzida a mais icônica sequência do filme “O Grande Ditador”, com Chaplin imitando Adolf Hitler, brincando com o mundo (redondo, claro).  Na vinheta de Hans Donner, belas mulheres apareciam dentro do globo terrestre. A novela teve 197 capítulos.

Top Model – 1989. De Walter Negrão e Antonio Calmon, essa divertida trama fez um enorme sucesso, sobretudo com o público jovem. O surfista Gaspar Kundera (Nuno Leal Maia) cria os filhos Elvis (Marcelo Faria), Olívia (Gabriela Duarte), Jane (Carol Machado), Ringo (Henrique Faria) e Lennon (Igor Lage); cada um de uma mãe diferente. Seu irmão Alex (Cecil Thiré, um dos meus atores preferidos) é dono de uma agência de modelos e de uma confecção famosa. O sucesso veio de uma mistura de assuntos que hoje é comum em “Malhação”: os filhos de pais divorciados tinham que lidar com a separação, menstruação, masturbação, gravidez precoce, entre outros. Malu Mader era a modelo daquela que seria a trama principal, mas acabou ficando em segundo plano com o sucesso da família da Gaspar. Rita Lee fez uma participação como mãe de um dos filhos do surfista. A abertura, inspirada nos quadros do artista holandês Escher era com a música “Eu Só Quero Ser Feliz”, do grupo Buana 4. A novela teve 198 capítulos.

Renascer – 1993. O estilo épico de Benedito Ruy Barbosa está de volta na história de José Inocêncio (Leonardo Vieira, na primeira fase e Antônio Fagundes, na segunda) que chega a Ilhéus, na Bahia e finca seu facão em uma árvore, um jequitibá, que passa a representar sua vida, acompanhando o personagem durante toda a novela. Ele vira um empresário do ramo de Cacau. A mulher morre ao dar à luz ao quarto filho, João Pedro (Marcos Palmeiras), rejeitado então pelo pai daí em diante. Com a chegada de Mariana (Adriana Esteves), os dois se apaixonam por ela. Ela é neta de Belarmino (José Wilker), inimigo de José Inocêncio que é morto na primeira fase. Ela aparece para se vingar, mas se apaixona pelo coronel. Paralela à clássica trama de vingança surge histórias como a de Tião Galinha (Osmar Prado), catador de caranguejo e que denuncia as condições de trabalho e de vida precária no país. Maria Luisa Mendonça vive uma de suas personagens mais lembradas, a hermafrodita Buba, por quem José Venâncio (Taumaturgo Ferreira), um dos filhos do coronel, apaixona-se. A novela também entrou em temas como reforma agrária e corrupção. Um fato de que todos se recordam é do diabinho criado dentro de uma garrafa pelo coronel e a quem ele atribui seu sucesso nos negócios. Na abertura, a música “Confins”, com Ivan Lins. A novela teve 213 capítulos.

Meu Bem, Meu Mal – 1990. Depois de uma série de tramas escritas para o horário das sete, Cassiano Gabus Mendes desenvolve essa novela para ser exibida às 20 horas. Dom Lázaro (Lima Duarte) é um empresário paulistano e dono da Venturini Designers. Seu sócio e inimigo é Ricardo Miranda (José Mayer), filho de sua mulher em uma relação adúltera. Ricardo é amante de Isadora (Silvia Pfeifer), viúva do filho de Lázaro. Ao descobrir o caso dos dois, o empresário sofre um derrame, o que rendeu desde cenas dramáticas até algumas involuntariamente engraçadas com ele repetindo que queria “melões”. Um destaque dessa novela foi o ator Guilherme Karan, o mordomo Porfírio, que era completamente apaixonado pela “divina” Magda, personagem de Vera Zimermann. A abertura, claro era com “Meu Bem, Meu Mal”, de Caetano, cantada por Marcos André. A novela teve 173 capítulos.

Continua... 

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